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segunda-feira, 18 de março de 2019

Você creu de todo o coração?

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Quando Deus ordenou a Filipe, que vinha fazendo um bom trabalho pregando em Samaria, onde as multidões atendiam às coisas que ele dizia, que fosse a um caminho que se achava deserto, havia um propósito específico. Em sua providência, o Senhor levou Filipe até um eunuco, oficial da rainha dos etíopes, que voltava da adoração em Jerusalém e vinha lendo o profeta Isaías.

Filipe, obedecendo ao Espírito Santo, se aproximou do carro em que estava o eunuco e perguntou se ele entendia o que estava lendo. Diante da negativa e do pedido para que Filipe explicasse o texto, aquele homem entendeu o evangelho e chegando perto de um lugar onde havia água, questionou: “Eis aqui água; que impede que seja eu batizado?” – ao que Filipe respondeu – “É lícito, se crês de todo o coração” (At 8.36,37a).

Para que alguém receba a água do batismo, que aponta para a purificação do coração realizada pelo Espírito Santo, é preciso que se creia em Jesus Cristo. Por essa razão foi que Filipe não se negou a batizar o eunuco que o respondeu: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At 8.37b).

É claro que essa confissão não é mera declaração do entendimento intelectual dessa verdade, mas deve vir acompanhada de arrependimento genuíno, seguido de uma mudança de vida, na força e no poder do Espírito Santo. Foi por causa dessa verdade que Paulo, então, ordenou aos filipenses que desenvolvessem a salvação, ou seja, que buscassem uma vida de santidade que era possível porque o Deus que os tinha salvado operava neles o querer e o realizar, de acordo com a sua boa vontade (Fp 2.12,13).

Crer de todo o coração significa viver em santidade diante do Senhor e não somente fazer uma declaração formal de arrependimento e fé em Cristo.

Um episódio que demonstra a importância da coerência entre a declaração de fé e a vida de prática está no início dos evangelhos, quando João Batista batizava no Jordão.

É verdade que o batismo de João não era o batismo cristão. Prova disso é que ao encontrar alguns discípulos em Éfeso, Paulo perguntou em que batismo haviam sido batizados e, após ouvir que tinha sido no batismo de João, batizou-os em nome do Senhor Jesus (At 19.1-5).

O batismo de João, conforme Paulo, era um batismo para arrependimento, possivelmente semelhante às cerimônias de purificação do AT. Como João era o precursor do Messias ele exigia uma vida de retidão para que alguém fosse batizado, daí ele exortar enfaticamente: “Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.7,8).

Acontecia que alguns daqueles que iam se apresentar ao batismo achavam que o simples fato de submeter-se àquele rito os livraria da ira do Messias. O fruto que demonstrava arrependimento, mencionado pelo Batista era a adequação ao que ordenava a Lei. Isso fica claro no evangelho de Lucas, quando as multidões perguntam a ele o que fazer e ele reponde: “Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado. Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia fala e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc 3.10-14).

Tudo o que João Batista responde tem fundamento na Lei que ordenava a repartir o pão com o faminto e cobrir o nu (Is 58.7), a não furtar (Ex 20.15) e a ter contentamento (Ex 20.17).

É interessante e importante notar essa questão, pois se aqueles que aguardavam a vinda do Messias não conseguiriam fugir da ira vindoura simplesmente por submeter-se a um rito ao mesmo tempo em que viviam em pecado, tampouco estarão seguros aqueles que, após a vinda do Messias, fazem uma confissão correta, submetem-se a um rito ordenado pelo Senhor, mas vivem em pecado.

A Escritura é bem clara a esse respeito: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1Jo 3.9). O batismo cristão é, então, para aquele que crê de todo o coração e essa atitude é evidenciada numa busca de santidade, que é viver no padrão estabelecido pela Lei do Senhor e que pode ser buscado na força e poder do Espírito Santo.

Você creu de todo o coração? Tem buscado conhecer a Palavra a fim de poder viver em acordo com ela? Tem procurado honrar ao Senhor? Se sim, saiba que há uma má e uma boa notícia. A má é que mesmo que busque viver dessa forma, ainda pecará. A boa é a garantia de que “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

Sonde o seu coração e se perceber que, ainda que batizado e membro de uma igreja, ainda não crê de todo o coração arrependa-se e busque verdadeiramente a Cristo. Ele é poderoso para perdoar os seus pecados e transformar a sua vida.

Milton C. J. Junior

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Arrependimento ou remorso? Como se entristecer para a glória de Deus

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Na vida tomamos várias decisões. Diariamente estamos diante de escolhas sobre o que fazer e o que não fazer e as fazemos de acordo com as inclinações do nosso coração.

É do coração que procedem as fontes da vida (Pv 4.23), aquilo que pensamos (Hb 4.12), falamos (Mt 15.18) e fazemos (Mt 15.19), razão de a Bíblia, insistentemente, chamar a atenção ao cuidado com o coração.

Pois bem, ao tomar decisões, inevitavelmente estaremos fazendo segundo o nosso coração. Algum cristão desavisado poderia pensar que, se é desta forma, as coisas estão resolvidas, pois o Senhor já nos deu um novo coração; mas apesar de essa ser uma verdade, ela não é toda a verdade. Esta consiste em entender que fomos salvos e tivemos o coração renovado pelo Senhor, mas ainda não o fomos plenamente, o que só vai ocorrer por ocasião da vinda do Redentor (1Jo 3.2).

Infelizmente, até que chegue esse dia, ainda faremos escolhas e agiremos de forma errada e pecaminosa colhendo sempre os frutos disso. Não poucas vezes sofreremos com as nossas escolhas e atitudes e acabaremos lamentando o que foi feito. Nesses momentos é importante saber distinguir arrependimento de remorso, pois apesar de o resultado de ambos ser sofrimento e tristeza, a causa de um e de outro são bem distintas.

Pense, por exemplo, na história de Jacó e Esaú. Isaque sabia que o propósito de Deus era abençoar seu filho mais novo, Jacó, em vez do mais velho, Esaú. Apesar disso, ele tinha em seu coração o desejo de abençoar o mais velho. Pediu então que Esaú fosse caçar e que preparasse para ele uma comida saborosa, para depois ser abençoado.

Rebeca estava ouvindo os planos do marido e, quando Esaú saiu para caçar, tramou com Jacó um plano para enganar Isaque a fim de que ele abençoasse o mais moço. E assim foi feito. Enganado (mas não fora do propósito de Deus), Isaque abençoou a Jacó. Entretanto, quando Esaú chegou com sua caça e se deu conta de que o irmão havia “roubado” a sua bênção ficou amargurado e, chorando, pediu que o pai também o abençoasse, recebendo uma negativa como resposta (Gn 27.30-38). A partir de então, Esaú passou a odiar seu irmão por causa de ele ter sido abençoado e planejou matar a Jacó assim que Isaque falecesse (27.39).

É interessante notar como o Novo Testamento interpreta a história de Esaú. O escritor da carta aos hebreus exorta para que não haja na igreja “algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado” (12.16-17).

A pergunta a ser respondida aqui é o que significa Esaú não ter achado lugar de arrependimento, principalmente quando sabemos que Deus não despreza um coração compungido e contrito (Sl 51.17).

Para ter essa resposta é preciso saber mais algumas informações a respeito da história de Esaú. Sendo o primogênito, a bênção era, por direito, dele. Entretanto, num dia em que estava faminto, pediu a Jacó um pouco do cozinhado de lentilhas que este havia feito. Jacó se aproveitou da situação para “comprar” o direito de primogenitura de Esaú que, desdenhando do seu privilégio respondeu: “Estou quase morrendo; de que me vale esse direito?” (Gn 25.32 – NVI).

O desejo por comida era tão grande que ele desdenhou de sua condição, preferindo um prato de lentilhas em vez da bênção do Senhor. Por conta disso é que o escritor de Hebreus o trata como um profano que, “por um repasto, vendeu seu direito de primogenitura”. O que ele buscou com lágrimas não foi o perdão, mas a bênção que havia perdido. O choro não era o lamento pelo pecado cometido contra Deus, de desprezar a bênção da primogenitura, mas somente pelo fato de ter perdido a bênção.

A diferença entre o remorso e o arrependimento é que este lamenta o pecado cometido enquanto aquele lamenta somente as consequências do pecado. É por causa dessa diferença que Paulo diz ter ficado alegre com a tristeza que sua carta produziu nos coríntios, mas não pela tristeza em si, e sim porque foi uma tristeza para arrependimento, e logo conclui: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2Co 7.8-10).

Diante disso, temos de entender que o pecado não é ruim por causa das consequências e problemas que traz sobre nós, mas por causa da afronta que é feita a um Deus Santo. Infelizmente, muitos cristãos têm aprendido a lamentar as consequências do pecado e não o pecado em si.

Quando pais ensinam aos filhos que eles devem ser bons com os amigos para não os perder; jovens são estimulados a não se envolverem sexualmente antes do casamento para evitar filhos e, assim, não comprometerem os estudos; ou ainda quando maridos são ensinados a ajudar as esposas a fim de receberem algo em troca, o que está em jogo não é o pecado contra Deus, mas aquilo que se vai perder fazendo essas coisas. O produto final, quando há então a prática contrária ao que foi ensinado, não pode ser outro, senão o remorso.

Se você quer viver para a glória de Deus lembre-se, então, que a tristeza segundo o mundo (remorso) só produz morte, mas a tristeza segundo Deus leva ao arrependimento e, consequentemente, ao perdão dos pecados e reconciliação com o Senhor.

Milton C. J. Junior