quinta-feira, 9 de maio de 2019

Enterre, também, seus ídolos

enterrando ídolos

“Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; faze um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú, teu irmão” (Gn 35.1). A ordem foi dada pelo Senhor a Jacó num momento em que o seu coração estava cheio de temor. Ele estava com medo de ser destruído, juntamente com sua família, pelos cananeus e ferezeus, após seus filhos Simeão e Levi cometerem uma chacina matando todos os homens da cidade de Siquém.

Siquém havia violentado e levado cativa Diná, filha de Lia, portanto, irmã “plena” de Simeão e Levi. Jacó foi negligente não dando importância ao ocorrido e ainda consentindo com o casamento misto proposto por Hamor, pai de Siquém. Simeão e Levi entenderam corretamente a gravidade da situação, mas tomaram uma atitude errada. Pensando somente na vingança, profanaram a circuncisão, sinal da Santa Aliança. Dolosamente eles afirmaram que só permitiriam o casamento caso os homens da cidade se submetessem à circuncisão, o que eles fizeram. Porém, a trama era se aproveitar da fragilidade dos homens após esse ato e assassinar a todos, o que, de fato, fizeram.

Diante disso, Jacó repreendeu seus filhos, mas não foi pelas razões corretas. Ele não estava preocupado com o fato de os filhos terem feito uma guerra sem a chancela de Deus. Também não se preocupou com a profanação do sinal da Aliança e com o esvaziamento do seu significado numa empreitada de vingança. Não! Jacó repreendeu seus filhos porque entendeu que a atitude deles o havia tornado odioso entre os moradores daquela terra e ele corria o risco de ser destruído. Sua razão para repreender os filhos, além de egoísta, revelava falta de confiança no Deus que lhe havia feito promessas e mudado o seu nome para Israel (= “Deus prevalece”).

O temor invade o coração de Jacó quando a sua confiança deixa de ser no Deus que prevalece e passa a ser no seu “bom relacionamento” com os moradores da terra (confira no capítulo 34 de Gênesis).

Uma extraordinária lembrança

No início do capítulo 35, Deus então ordena que Jacó vá para Betel (35.1). A ordem é para que ele habitasse em Betel e ali fizesse um altar. É importante notar que, neste momento, Deus está trazendo algo à lembrança de Jacó. O altar seria feito “ao Deus que te apareceu [a Jacó] quando fugias da presença de Esaú”.

O fato de o Senhor enfatizar isso é extraordinário. Jacó estava com medo dos cananeus e ferezeus, temendo que eles o destruíssem juntamente com sua casa e Deus está lembrando que, em outra ocasião de temor, quando estava sob o risco de perecer sob a ira do seu irmão Esaú (a quem tinha enganado), o Senhor o havia guardado. É como se Deus estivesse dizendo: “Jacó, lembre-se de que eu sou o Deus que te apareceu em Betel e fiz promessas. Lembre-se de que eu já te livrei de morrer e minhas promessas permanecem de pé”.

Jacó entendeu o recado. Ele convoca sua caravana e diz: “Subamos a Betel. Farei ali um altar ao Deus que me respondeu no dia da angústia e me acompanhou no caminho por onde andei (35.3). Ele relembra, então, que Deus tem estado ao seu lado, o tem amparado e tem cumprido suas promessas e afirma que faria, em Betel, um altar a esse Deus.

Ao chegar a Betel e edificar o altar, a lembrança permanece em sua mente. Ele chama o lugar de “El-Betel; porque ali Deus se revelou quando fugia da presença de seu irmão” (35.7).

Em um momento de angústia e temor, Jacó foi lembrado a respeito da fidelidade e da segurança que tinha no Senhor.

Livrando-se dos ídolos

Essa lembrança produziu um resultado piedoso. Assim que ouviu o Senhor mencionar o momento em que tinha aparecido a Jacó pela primeira vez, ele ordenou à sua família e toda a caravana que lançassem fora os deuses estranhos.

É necessário lembrar que toda idolatria iconográfica é o resultado final da idolatria do coração. Aqueles que chegam a esculpir ou desenhar seus deuses simplesmente revelam aquilo em que o seu coração confia.

É preciso lembrar também que na saída da casa de Labão, seu sogro, Raquel havia roubado de seu pai os ídolos do lar, mas ainda que não houvesse a presença física dos ídolos, tanto ela quanto Jacó e sua irmã Lia revelaram um coração bastante idólatra, tempos atrás. Jacó tinha na beleza a sua razão de viver, tanto que, ao ser enganado por Labão e ter se casado com Lia, dispôs-se a trabalhar mais sete anos em favor daquela que “era formosa de porte e de semblante” (Gn 29.17), estabelecendo assim um casamento bígamo. Lia tinha no amor de Jacó a sua razão de viver e usava seus filhos para tentar conseguir esse amor (Gn 29.31-34; 30.20). Raquel, por sua vez, tinha na maternidade a sua razão de viver chegando a se irar com Jacó e declarar toda a sua idolatria ao afirmar: “Dá-me filhos, senão morrerei” (30.1). A idolatria era tamanha que ao conceber, de forma milagrosa, pela primeira vez, em vez de louvar a Deus disse: “quero ainda outro”, chamando-o de José.

Perceba que nenhum desses desejos é pecaminoso em si. Querer uma esposa bonita, o amor do marido ou a bênção de ter filhos eram desejos lícitos que se tornaram pecaminosos a partir do momento em que cada um desses personagens pecou para consegui-los ou pecou por não ter o que queria.

Voltando então ao ponto, convocar a família e o povo a lançar fora os deuses estranhos significava que somente no Senhor deveria estar a confiança, a alegria, a segurança e tudo mais que buscavam.

Jacó ordena ainda que eles se purifiquem e mudem de vestes, gesto que simbolizava purificação da contaminação dos ídolos para a pureza diante de Deus. Eles deveriam trilhar um novo e purificado caminho de vida (35.2).

A caravana atendeu a Jacó (35.4) e cada um entregou os deuses e as argolas que usavam nas orelhas como uma espécie de amuleto. Jacó pegou tudo aquilo, todos os amuletos e todos os deuses estranhos, e os enterrou debaixo de um carvalho, em Siquém.

Experimentando alívio

Quando eles partiram, após entenderem que o Senhor era fiel e que deviam temer a ele e não aos ídolos (no momento, as nações eram também ídolos, pois eram vistas como maiores que Deus), eles experimentam algo maravilhoso.

Eles viram aqueles que eram o motivo de seu temor, temendo o “Deus que prevalece” quando “o terror de Deus invadiu as cidades circunvizinhas” (35.5) e, consequentemente, não perseguiram os filhos de Jacó. O temeroso Jacó teve mais uma prova de que o Deus da Aliança estava cumprindo fielmente o plano de fazer dele uma nação. Não havia, então, o que temer.

Ele termina, como já foi visto, levantando um altar e adorando ao Senhor.

Enterre os seus ídolos aos pés da cruz

Quais são os temores que tomam conta do seu coração? Em que ou em quem você tem depositado a sua confiança? Quais desejos o têm levado a pecar contra o Senhor?

As razões que podem tirar o seu sossego, trazer angústia, tristeza e deixá-lo ansioso podem ser variadas, mas uma coisa é certa: sempre que você procurar conforto, segurança, alegria, satisfação fora do Senhor, estará levantando um falso deus diante de si e incorrendo, assim, em idolatria. Os falsos deuses podem até prometer alegria, mas eles não são capazes de cumprir suas promessas.

Quais são os falsos deuses que você precisar enterrar hoje, não debaixo do carvalho como fez Jacó, mas aos pés da cruz de Jesus Cristo? Faça uma análise de sua vida e verifique se você não tem buscado alegria no dinheiro, em pessoas, status, comida, bebida, prazeres dessa vida, etc. Se a fonte do seu prazer está em coisas ou pessoas em vez de estar somente em Cristo, confesse ao Senhor esse pecado.

Ao enterrar seus ídolos aos pés da cruz você, certamente, experimentará a paz de Cristo que excede todo entendimento (Fp 4.7). Você estará seguro e louvará a Deus a despeito das circunstâncias (Fp 4.10-13). Tendo o Senhor como único Deus você poderá usufruir tudo aquilo que ele nos concede sem se deixar dominar por nenhum deles (1Co 6.12), fazendo tudo para a glória dele (1Co 10.31).

Em seus momentos de dificuldade obedeça então à ordem do apóstolo Pedro e lance sobre Cristo Jesus toda a sua ansiedade, sabendo que ele cuida dos seus (1Pe 5.7). Lembre-se também das palavras do Senhor, que prometeu: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

Milton  C. J. Junior

terça-feira, 30 de abril de 2019

Sobre jugos desiguais

mula_e_boiJugo, ou cangalha, como se diz aqui no Espírito Santo, é o nome dado àquela peça de madeira que é colocada sobre dois animais para que possam puxar a carroça, o arado, etc.

Quando se colocam animais para puxar uma carga, deve-se ter o cuidado para que não sejam de tamanho ou força “desigual” a fim de que um deles não fique sobrecarregado, ou seja, para que não seja um “jugo desigual”.

A Bíblia fala sobre jugos desiguais e é bastante clara ao afirmar que os crentes não devem se prender a jugo desigual com os incrédulos. Na segunda epístola aos Coríntios Paulo escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” (2Co 6.14-15).

O ensino diz respeito a qualquer associação entre um crente e um incrédulo, apesar de ser mais comumente usado para se referir ao chamado “casamento misto”.

A razão para essa ordenança, creio ser bem simples de se compreender. Tendo princípios e motivações diferentes, sempre haverá uma carga mais pesada para uma parte que para a outra e, geralmente, pesando para o lado do crente. Ouvi certa vez, de alguém que não via problemas no casamento misto, que a ordem de Paulo se referia apenas a sociedades civis, mas pense na implicação dessa posição: você pode casar com um incrédulo e dividir com ele a grande responsabilidade de educar os filhos, mas não pode abrir um negócio com o cônjuge. Isso chega a soar de forma ridícula.

Um cristão comprometido com o Senhor deve ponderar muito bem sobre essa questão, pois as dificuldades certamente virão e, ainda que fosse possível garantir que elas não fossem surgir, a desobediência continua existindo. Eu sei que existem, e conheço alguns, casamentos assim, em que os cônjuges vivem bem e outros em que a parte incrédula acabou se convertendo, mas isso é pura graça e misericórdia do Senhor, e constituem-se exceções. A regra continua sendo o ensino de Paulo, que simplesmente ecoa o que outras passagens das Escrituras ensinam (Gn 6.1-3; Ex 34.12-17; Ne 13.23-27; 1Co 7.39).

São várias as razões que levam um crente a buscar relacionamento com um incrédulo e por trás de todas elas, indubitavelmente, está a vontade de satisfazer os próprios sentimentos em vez de obedecer ao Senhor e esperar nele. Por vezes, a ansiedade de conseguir um cônjuge torna-se um peso tão grande que a paciência em “esperar” alguém com a mesma fé dá lugar ao afoito desejo de fazer as coisas do seu próprio jeito e, assim, estabelece-se o jugo desigual, tão claramente desautorizado pela Palavra.

Mas, se por um lado a Escritura proíbe o jugo desigual com os incrédulos, por outro lado, ela nos ordena entrar numa relação que também é de jugo desigual, porém com o Senhor Jesus. Foi ele mesmo quem disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

No relacionamento com Cristo Jesus ele assume todo o peso, em nosso favor.

A Bíblia nos mostra que, além do peso do pecado, o homem tem sobre si outro grande fardo, pois para que ele seja salvo Deus requer dele o cumprimento da Lei. O problema é que, por ser pecador, o homem não tem condições de guardá-la de forma plena e tem sobre si o peso da condenação do Senhor.

Jesus guardou a Lei de forma perfeita, tomou sobre ele os nossos pecados e recebeu sobre si o peso da nossa condenação. Descrevendo o sofrimento do Servo do Senhor, Isaías afirmou que “certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si [...] ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4-5).

O apóstolo Pedro, citando o texto de Isaías, nos ensina como deve ser a nossa vida, após sermos aliviados pelo Senhor, do peso da condenação: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados” (1Pe 2.24).

Por carregar o peso por nós, Jesus pode então ordenar e afirmar: “Tomai sobre vós o meu jugo [...] porque o meu jugo é suave.” Sem o peso da condenação o crente pode cumprir os mandamentos, não para autojustificação, mas para honrar aquele que o justificou, entendendo que “os seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5.3).

O cristão pode ainda lançar todo o peso causado pelas ansiedades (incluindo a busca pelo cônjuge) sobre aquele que o carrega por nós, como exortou Pedro: “Lançando sobre ele a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.7).

Não insista em buscar um jugo que o Senhor afirma ser sobremodo pesado, antes, tome sobre você o jugo suave daquele que suporta o peso por nós, honrando-o em todo tempo no cumprimento dos seus mandamentos.

Milton C. J. Junior

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Mas, e se...? Comigo deu certo!

não falo não vejo não ouço

A despeito do claro ensino das Escrituras quanto a proibição do casamento entre crentes e incrédulos (Gn 6.1-3; Ex 34.12-17; Ne 13.23-27; 1Co 7.39), sempre haverá quem argumente da forma como está no título, seja para justificar a escolha de um não crente para o matrimônio – “Mas, e se a parte incrédula for um eleito de Deus e vier a se converter depois? Nunca se sabe, né?” – ou para demonstrar que Deus aprovou a união – “Meu cônjuge se converteu depois de uns anos, comigo deu certo!”.

É preciso considerar essas questões e respondê-las. São procedentes? Cristãos podem se apegar a elas e “arriscar” o relacionamento misto?

Comecemos com o “e se?”. Alguns têm argumentado, a partir da história de Rute, que Deus pode salvar o cônjuge incrédulo. Só para lembrarmos, Rute era a moabita que se casou com um dos filhos da viúva Noemi e cuja bela profissão de fé é usada, inclusive, como versículo de convite de casamento: “Aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rt 1.16).

Aqui já temos algumas questões a se considerar. Tudo começa ao se retirar o versículo do seu contexto. A bela afirmação foi feita para a sogra e não para o esposo que, a essa altura, já tinha morrido. Ele sequer viu a conversão acontecer e, há teólogos que até entendem que a razão da morte foi exatamente a desobediência em tomar uma esposa descrente. A segunda questão é que essa não é toda a história. Noemi tinha dois filhos e ambos tomaram esposas moabitas. Após a morte dos dois, Noemi despediu as noras e, ainda que Rute tenha ficado com a sogra, Orfa, que nunca é citada por razões óbvias, voltou para os seus deuses (Rt 1.11-15). O que vemos, portanto, é que o “e se” vale também para a hipótese da não conversão do cônjuge que é o que mais acontece, podendo ser constatado empiricamente.

Entretanto, desconsiderarei essa segunda hipótese, para continuarmos a pensar. Será que se em todos os casamentos mistos acontecesse a conversão da parte incrédula (deu certo!), isso poderia ser tomado como sinal da aprovação de Deus? Deixe-me tentar ilustrar isso com uma história conhecida.

Certa vez o rei Davi, em vez de ir para a batalha com seus soldados, resolveu ficar em seu palácio. Numa tarde, passeando pelo terraço, viu na vizinhança uma mulher muito bonita e se encantou com ela. Mandou perguntar, então, quem era e foi avisado de que era ela a mulher de Urias, um de seus soldados. Ele então pensou: “Eu sei que adultério é pecado, mas, quem sabe não seja propósito de Deus usar um filho que terei com ela para ser o ascendente do Messias?” e, assim, mandou chamar a mulher de Urias e a possuiu.

Antes que você pense que eu endoidei, afirmo que sei exatamente que não foi assim que aconteceu. Apesar de não ter nenhuma dúvida de que era mesmo propósito de Deus que um dos filhos de Davi com Bate-Seba entrasse na linhagem do Messias (perceba que ao registrar a linhagem de Jesus Mateus faz questão de frisar: “Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias” – Mt 1.6), a razão de Davi ter pecado tomando a esposa do seu próximo, conforme o ensino da Escritura, foi a sua própria cobiça que o atraiu e o seduziu (cf Tg 1.14,15).

Para que não passe pela sua cabeça que isso faz de Davi um inocente, preciso dizer que o fato de estar no plano de Deus que Salomão estivesse na linhagem do Messias não torna o pecado de Davi “menos pecado”, apenas demonstra a ação soberana de um Deus que governa a história e que usa, inclusive, os atos maus dos homens para realizar a sua vontade soberana.

Se você é um leitor atento da Bíblia vai lembrar que era plano de Deus fazer José governador do Egito (Gn 45.8; 50.20,21), mas que foi pecaminosa a atitude dos seus irmãos que, por inveja, o venderam como escravo para o Egito e mentiram a seu pai afirmando que ele havia morrido (Gn 37.4-36). Você deve se lembrar também que foi o próprio Deus que enviou a Assíria para punir o seu povo que estava longe dos seus caminhos usando a maldade do seu governante, mas após cumprir o que desejava castigou “a arrogância do coração do rei da Assíria e a desmedida altivez dos seus olhos” (Is 10.5-15).

Vários exemplos do Senhor usando o pecado dos homens para cumprir seus propósitos poderiam ser citados, mas mencionarei apenas mais um. Era plano de Deus enviar seu Filho ao mundo para morrer em lugar do seu povo, recebendo sobre si a ira do Pai, mas a culpa da morte do Senhor recaiu sobre os homens, como afirmou Pedro em seu sermão: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;” (At 2.23).

Os fatos narrados, portanto, ainda que demonstrem que “deu certo!”, não tornam legítimas as escolhas erradas e pecaminosas que são feitas segundo a nossa cobiça, mas reafirmam a verdade bíblica de um Deus Soberano que dirige a história e cumpre seus planos sempre.

Casamentos mistos sempre serão uma desobediência a Deus, ainda que haja conversão da parte incrédula após o casamento (nesses casos percebemos a misericórdia, apesar do pecado). Mas a essa altura alguns podem questionar: “O que fazer, então, se eu amo alguém que é incrédulo? Não vale a pena arriscar? Ele(a) é uma pessoa tão boa...”.

Minha resposta é simples. Fique amigo dele(a) e sempre que tiver oportunidade evangelize-o(a). Ofereça-se para discipulá-lo(a), convide-o(a) para ir aos cultos e, se um dia ele(a) se converter, case-se. É claro que isso pode demorar dias, meses, anos ou nunca vir a acontecer, mas se você, de fato, o(a) ama tanto como afirma estará dando a maior prova de amor ao se esforçar para apresentar a ele(a) o evangelho redentor. Seu amor resiste ao tempo?

Por fim, mas não menos importante, negando a sua própria vontade (Mt 16.24), você demonstrará que ama em primeiro lugar ao Senhor e que, por amor a ele, irá se submeter à ordem para que não haja casamentos mistos.

Milton C. J. Junior